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Setor Marechal Rondon

Sobre a igreja

Assembleia de Deus em Salvador — Setor Marechal Rondon

Nossa história

Uma história de fé

Cinquenta anos se passaram, mas não esqueço nossa história.

O começo no Largo de Campinas

A amada irmã Lourdes Amoedo deu início à obra através de um trabalho de autofalante no Largo de Campinas. Não havia congregação aqui, e os poucos irmãos tinham que caminhar algumas léguas.

Adultos e crianças seguiam andando e cantando pelo caminho, que não era tão perto, para cultuar nas igrejas mais próximas: em Pau da Lima, Mata Escura, Pirajá, Bom Sucesso (hoje Palestina) e Calabetão.

Largo de Campinas

Casas abertas para o culto

Alguns irmãos cediam suas casas para realizarem cultos ao Senhor: o irmão Dc. Valdemar Sena (em memória); o irmão Dc. Hugo Sena (em memória), esposo da amada irmã Antônia Sena; a irmã Adail (em memória); a irmã Sinésia (em memória), que morava no Largo de Campinas, em frente à Escola Arthur de Sales, e que também cedia um salão para realizar os cultos; e o irmão Zequinha (em memória), esposo da irmã Maria de São Pedro (em memória).

Um voto ao Senhor (1968)

Mas o Senhor tem sempre um plano perfeito. Em 1968, o irmão da irmã Emília Lopes, o Sr. Joel Lopes, veio abrir um loteamento aqui e fez um voto ao Senhor: se tudo desse certo, ele daria um lote para a Igreja.

Os irmãos oraram e ele conseguiu abrir o loteamento. Então cumpriu seu voto e doou o lote para a Igreja, que se uniu e fez um salão de taipa, de chão batido. Até as irmãs ajudaram a pilar o barro. Imagino a alegria deles!

Nosso primeiro templo (1969–1971)

Em 2 de janeiro de 1969 (ano do meu nascimento), já tínhamos um lugar para render culto ao Senhor.

Passaram-se dois anos e o mesmo Sr. Joel Lopes construiu um templo maior e entregou a chave nas mãos do Pastor Presidente das Assembleias de Deus no estado da Bahia, Pr. Rodrigo Silva Santana (em memória). O templo foi inaugurado em 1971 por nosso primeiro Superintendente, Dc. Valdemar Sena, e seu auxiliar, Dc. Hugo Sena (em memória).

O primeiro templo, inaugurado em 1971

A igreja seguia crescendo

Me recordo do evangelismo, quando íamos caminhando ou em cima do caminhão do irmão José Conceição ou do irmão Orlando, para a Chácara São José (hoje Dom Avelar), onde abrimos uma congregação. Vi colocar, ali, a pedra fundamental de um novo templo, fruto do evangelismo feito por nós.

Também evangelizamos Águas Claras e lá abrimos uma Igreja. Evangelizamos nas ruas onde moravam os irmãos da congregação. Às noites de sexta-feira o evangelismo era em Áreas Verdes, onde também abrimos uma Igreja; caminhando e saltando as valas, o cântico se misturava com o cântico dos sapos pelos becos (risos).

Evangelismo nos bairros

Pelas ruas e ladeiras

A escuridão da noite não nos amedrontava. Caminhávamos pelas ruas, descíamos e subíamos ladeiras e escadarias do Alto do São Jorge, do Final de Linha e região. Juntos, jovens, adultos e crianças, evangelizamos em Estácio de Sá por muitas vezes, onde abrimos uma congregação, e muitos irmãos que congregavam conosco passaram a congregar lá.

Evangelizamos toda a extensão da Lígia Maria: em frente à casa do irmão Ló, embaixo da mangueira próximo da casa de Dona Maria (sobrinha do irmão Ló), no campo da bica, em uma rua de dentro que ficava próximo a Pirajá, e em uma pracinha próximo de onde é, hoje, a Igreja de Antônio Calixto (não abrimos a Igreja em Antônio Calixto). Evangelizamos na Brasilgás, em uma rua atrás da Escola Arthur de Sales, no "Inferninho", atrás da antiga Telemar, e em toda a região da Mangueira. Nesses lugares, abrimos as Congregações de Campinas 1 e 2 e Geolândia.

Vale lembrar que não foi somente uma vez: foram muitas vezes, até abrir uma congregação no local e deixar um Superintendente cuidando das ovelhas. Era gratificante, pois íamos com alegria, incansavelmente, todas as vezes. Mais tarde, outras Congregações foram inauguradas.

Oração e vigílias

Os círculos de oração eram às quartas e sextas, sendo às sextas o círculo de oração dos jovens. Adultos e crianças participavam com alegria. As nossas vigílias eram bem fervorosas; dava para ouvir, ao longe, as orações e o clamor da Igreja. Os pais criavam os filhos ensinando a dar valor a essas reuniões e a reverenciar a casa do Senhor.

Naquele tempo não tinha "mini vigília", era a noite toda. Nossas mães levavam cobertores para, se não aguentássemos, dormirmos um pouco. Eu não dormia, gostava do ambiente e das amigas (risos).

A Igrejinha ficou pequena

Os anos se passaram e a nossa Igrejinha não era mais a mesma; as estruturas envelheceram. O telhado tinha muitas goteiras. Lembro-me de que um dia assistimos ao culto de guarda-chuva (risos). Já não cabiam os crentes; estava cheia.

A Igrejinha antes da reforma

Um novo templo

Por volta dos anos de 1992-93, o amado Pastor Ismael Nobre (em memória) veio tomar conta da Congregação. Antes membro, agora voltava como Pastor. Homem sisudo, de natureza forte e conservador; servo que o Senhor enviou para construir o novo templo. O Pastor Ismael Nobre era destemido: peitou esta construção de grande estrutura, com muita dedicação e entusiasmo.

Fez uma campanha com a Igreja e separou o povo em tribos, como na Bíblia: tribo de Dam, tribo de Levi, tribo de Benjamin e assim por diante. Foram 12 tribos, e cada irmão contribuía dando sua oferta na tribo a que pertencia.

Foi um grande desafio, e os irmãos tinham prazer em contribuir, em cooperar. Vinham homens e até meninos: quebravam paredes, carregavam entulhos e materiais. As irmãs traziam os lanches e faziam as comidas; a alegria estava estampada no rosto de todos que participavam.

A construção do novo templo

A reinauguração (2001)

Alguns dias os cultos eram realizados no espaço cedido pelo Pastor Ismael Lopes, e para a Glória de Deus conseguimos erguer esse grande templo sem pedir nenhuma oferta à administração geral nem em outro lugar.

O Pastor Ismael Nobre foi um homem de coragem e compromisso, finalizando aqui, neste lugar, seu ministério de construção; esta foi a última Igreja que ele construiu. A fase de acabamento foi concluída na gestão do Pastor Joel Pinho, e o templo foi reinaugurado em 16/09/2001.

Reinauguração do templo, 16/09/2001

Ainda hoje a obra continua!

São tempos difíceis, na verdade, mas temos deixado algumas sementes pelo caminho. Nos primeiros anos, no dia do aniversário da igreja, também era feita uma caminhada, com a saída de sempre: do Largo de Campinas até o Final de Linha, com porta-bandeiras e bandas de música da Liberdade ou de Capelinha.

Hoje, com a nossa Caminhada de Oração, a juventude evangeliza com o projeto "Foi por mim, foi por você", os adolescentes com o "Evangelizai", as irmãs da equipe de visitas toda semana, de casa em casa, as visitas individuais e o "Impacto" no período do carnaval. Tenho certeza de que alguma semente germinou!

Caminhada de Oração

Aqui aprendi para a vida

Louvo ao Senhor e valorizo tudo que aqui aprendi. Além da educação da minha mãe, aqui recebi orientação à luz da palavra, que me ajudou a forjar meu caráter, me tornando a cidadã que sou hoje. Agradeço a Deus pela vida de cada Superintendente que passou por aqui; pela vida de cada irmã idônea que faz parte da minha história, me ensinando com seus ricos conselhos que vou levar por toda a minha vida; aos Mestres do ensino, em sua maioria mulheres, minhas irmãs e amigas, que foram em busca do conhecimento da palavra com o objetivo de enriquecer a obra, o reino de Deus, ajudando no crescimento da Igreja.

Esse tem sido o diferencial da Igreja em Marechal Rondon. Ao longo desses cinquenta anos foram tantos cultos, palestras e seminários; estes nos foram preciosíssimos, aprofundando e fortalecendo nossas raízes. Embora a nossa organização tenha passado por uma grande tribulação nesses últimos tempos, o ensino, à luz da palavra, nos manteve seguros em nosso lugar, sem nos abalar com as questões ocorrentes.

Deus seja louvado e engrandecido em nossas vidas!

Aqui não aprendi apenas a ser cristã, aprendi para a vida. Aprendi a me portar com decência diante da sociedade, na criação dos meus filhos, no relacionamento conjugal e com as pessoas. Não consegui perfeição, ainda preciso melhorar, mas para mim foi de extrema importância, pois me ajudou, quando criança, criada sem pai, com tantas dificuldades, amenizando assim os traumas e intempéries da vida.

Muitos já passaram por aqui, aprenderam e foram ajudar em outros lugares: cidades, estados e até outros países. Outros casaram e foram servir ao Senhor em outra congregação, aplicando o conhecimento que aqui adquiriram; e muitos amados irmãos o Senhor recolheu para si, deixando para nós um legado de fidelidade ao Senhor. Quero citar somente três nomes como exemplos:

O nosso irmão José Conceição (em memória), conhecido por ter um discurso forte e sem rodeios, homem de Deus que cuidava da obra com dedicação e seriedade. Embora tivesse uma família grande (13 pessoas), ainda assim gostava de ajudar aqueles que precisavam, e se alguém precisasse de acolhimento, ele acolhia no seu lar. Tinha o amor de Deus em seu coração. Gostava de cantar e exortava o povo. Até hoje vemos se cumprirem coisas que ele já nos dizia há muito tempo.

O irmão Vavá (em memória), homem simples, quebrantado, que se derramava aos pés do Senhor. Era nítida a humildade em sua vida. Dono de uma potente voz, era um tenor brilhante. Tinha zelo com a casa do Senhor: limpava e encerava com muita alegria, sem reclamar de absolutamente nada. Dava para ver o prazer que ele tinha.

E a irmã Regina (em memória), senhorinha baixinha, mas dona de uma força… Saía a evangelizar sem medo e falava do amor de Deus com entusiasmo. Lindo! Lembro que chorei a sua partida, quando um muro da empresa Pirespuma caiu sobre a sua casa; quando o seu corpo foi resgatado, ela estava de joelhos, fazendo-nos acreditar que estava orando.

Aqui vencemos juntos muitas batalhas; tantos pedidos de socorro, e logo a resposta chegava, resultado das orações e da união dos santos. Tantas ajudas, campanhas de oração, construções e reformas; foram muitos os trabalhos, festivais de tortas, de salgados, de acarajé, de comida, cachorro-quente, pizza e outros.

Juntos construímos este lugar com essa tão grande estrutura: o templo do Senhor. Que possamos valorizar e respeitar tudo aqui: é o ÁTRIO, lugar de ADORAÇÃO a Deus. Que não seja profanado, para que a bênção do Senhor permaneça entre nós, e a visita do Senhor ao arraial seja constante, inundando nossos corações.

Somos uma Igreja abençoada; somos um CELEIRO, isso é fato. Por isso, devemos blindar nossa comunhão em Cristo Jesus, para juntos continuarmos a obra que nos foi confiada, beneficiando outras vidas que aqui chegarem sedentas de Deus.

Finalizo fazendo minhas as palavras do Salmo 27, versículos 4 e 5:

"Que eu possa viver na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a glória do Senhor e buscar sua orientação no seu templo. Pois no dia da adversidade Ele me protegerá, e estarei abrigado no recôndito do seu tabernáculo. Acima dos rochedos serei colocado em segurança." (Salmo 27:4-5)

Damares Lisboa Damares Lisboa Autora do texto
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